A VOLTA DAQUELES QUE NÃO FORAM……..

A VOLTA DAQUELES QUE NÃO FORAM……..

A alguns anos atrás, ainda no Século XX, nossa adolescência foi marcada por pitorescos chavões, que se espalhavam como ervas daninhas pelos quatro cantos da cidade, do estado e do país.

Ainda, a molecada brincava em rítmo de ditadura militar, livre e solta para empregar as suas habilidades em pipas, papagaios, carrinhos de rolamentos, carretilhas de linha de pipas, um jogo disputadíssimo chamado “betis” no meio da rua, e assim afora.

Era uma falta de respeito às autoridades domésticas, que quando sabiam do feito, vinham aos berros, dando toque de recolher, e algumas vezes, com chinelos nas mãos para aproveitar a passada e lascar uma chinelada na bunda do moleque travesso.

Por volta dos anos 60, um dos chavões que intrigava toda a gangue de moleques travessos, consistia na promoção e divulgação de um ditado meio estranho. “ A volta daqueles que não foram”; ou em outras versões mais dentro do meio caipira de viver “ A volta dos que não foram..”.

A seriedade das disputas entre as equipes de moleques do quarteirão da dona Maria, com o quarteirão da dona Joana, era severa. Ninguém queria perder, pois a medalha que não existia fisicamente, era a humilhação e risos de deboches dos vencedores.

Disputas de “betis” ocorriam com plateias ruidosas, protestando, incentivando com palavras do tipo “ vai….vai….vaiiiiiiiiiiiii…..vai…..”, e alguns palavrões na contramão da boa ortografia da nossa língua portuguesa.

Mas como a volta daqueles que não foram, ditado a mais de cinquenta anos atrás, nunca esteve tão presente nos dias de hoje, na vida da população brasileira, agora em pleno século XXI. Existe internet, e-mail, Skype, televisão colorida e satélites, carros em demasia, e outras coisas que eram completamente desconhecidas pela então turma da galera da molecada travessa.

A volta dos que não foram, é uma verdade cristalina nos dias de hoje, com figuras que naquela época atrapalhavam nosso divertimento, com passeatas, piquetes, greves e chateava muito a gangue dos moleques travessos. Os barbudos, como eram conhecidos no meio caipira, chateavam e deixavam muitos dos pais aborrecidos com a forma de condução de situações, onde muitos perderam empregos, trabalho e futuro de carreiras.

Evidente que a molecada não entendia as razões que estavam deixando aflitos os pais trabalhadores de fato, nas fábricas, nos comércios, na lavoura. Mas uma coisa a nossa gangue da molecada travessa, estava certa: a culpa era dos barbudos.

Mas quem seriam esses tais barbudos? Os costumes caipiras não tinham as barbas longas como sua caracterização cultural e tradição, e pelo contrário, a molecada não gostava de barbudos, pois quando apareciam no quarteirão da dona Joana, todos corriam para o quarteirão da dona Maria, com medo de ser agressivo e o tal bicho papão.

E a molecada estava certa disso, e comprovadamente, quem ler este pequeno artigo vai se lembrar dessa situação. Hoje, existem muitos barbudos dominando e fazendo perder o sono milhões de pais devido a possibilidade de desemprego, de tumultos, greves, e demais situações impostas as pessoas que cresceram nos quarteirões da dona Maria e da dona Joana.

Mas qual seria o perigo hoje, em relação daquela época do bicho papão?

Muitas cidades não tem quarteirões, pois não existem ruas para brincar de “betis”, não existe espaço para empinar pipas e papagaios, não existe mais portões dividindo o espaço das casas, do espaço das calçadas em ladrilhos e da guia das ruas quando eram pavimentadas, ou em chão batido. Milhares de meninos e meninas, não tem como ter uma partida disputadíssima de “betis” porque moram em favelas, onde o beco é a saída.

Será que a molecada caipira com suas travessuras, conseguiria viver e brincar livremente nas ruas, desafiando a falta de quarteirões, a falta de portões separando a propriedade privada do espaço público?

Será que essa molecada caipira, conseguiria ter rivalidade de dona Maria e dona Joana, nos dias de hoje?

A volta daqueles que não foram, é o ditado mais inteligente e original inventado pela gangue da molecada travessa e caipira daquela época. Pois os barbudos não foram, ficaram e estão barbudos. Aumentou o número de barbudos, carecas barbudos, barbudinhos, azulzinhos e vermelhinhos barbudinhos, mas safadinhos e ladrõezinhos.

Bem vindo a situação real do ditado “A volta daqueles que não foram….”

Autor do Artigo:

José Antonio S. Gonçalves

Engenheiro Civil, Especialista em Engenharia Urbana, Especialista em Geoprocessamento, Especialista em Cálculo de Estruturas, Especialista em Gestão e Tecnologia da industria da construção civil, Especialista em Trânsito e Transportes, pela Universidade Federal de São Carlos, UFSCar, Campus de São Carlos, SP.

Contato: engefrom@bol.com.br

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